Felizes são os burrus, os ingenuos, e os filha-da-puta!
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A Indelicadeza do Amor Escrita Com a Tinta do Coração.

Não se diz em poucas palavras o que nem mesmo com muitas se pode dizer.

 

É falhando na tentativa de falar muito que eu descobri o quanto tentar me explicar é, na maioria das vezes, uma tentativa em vão. A gente procura loucamente alguma frase que se encaixe naquele momento oportuno, caça outras poucas frases feitas e até usa os mais ridículos clichês. Quanto mais fundo tentamos encontrar algo, mais difícil fica pra organizar tudo depois. É assim com as palavras e funciona assim com a vida.

 

O quintal de casa era prova fiel de tudo isso que hoje escrevo aqui. Sempre que encontrava algo que me despertava interesse eu pegava e levava pra casa, pra deixar em algum canto do quintal, por mais inútil que fosse. Não me dava conta do entulho que juntava aos poucos e a medida que o tempo ia passando eu queria mais e mais coisas. O mendigo abrigado dentro daquele moleque de doze anos mal sabia que, anos depois, teria em seu peito também um quintal, tal como aquele que servia de depósito dos seus mais variados souvenirs.

 

O tempo passa rápido demais e não há nada que possamos fazer pra assumir o seu controle. Percebo o peso da idade quando olho pra dentro de mim e vejo cada vez mais o sentimento da saudade, que cresce inexplicavelmente sem que eu consiga lidar com sua presença. O terreno dela parece não comportar seu peso, e com isso eu sou o único a sentir – e sentir muito – a falta daquilo que não está mais ali.

 

Porque dói demais lembrar o que eu já não tenho.

 

A saudade mostra o que é de verdade e quando ela foge do controle nos resta administrar na cabeça – e no coração – tudo aquilo com capacidade de fazer o peito parar, só que a gente nasce sem manual de instrução e é no fio da navalha que aprendemos a lidar com isso. Sei que quem inflama de saudade possui a alma pura, e bem-aventurados os que usam dela pra ensinar ao mundo o que realmente vale a pena, que mostram que o abstrato é o que faz com que se perca o ar levando ao mergulho profundo dentro de si próprio, só que eu costumo fazer isso sem tubo de oxigênio. O que falta no mundo de hoje é profundidade. Desbravar o quintal de casa nunca foi tarefa tão difícil quanto é, e eu digo desbravar no sentido literal da palavra. Eu faço questão de redescobrir o mendigo abrigado dentro do meu eu versão doze anos justamente porque ele tem a essência da busca e sabe que é no coração que a gente guarda as melhores coisas da vida. Foi no quintal de casa que eu encontrei a comparação perfeita pra esse coração que possui os sentimentos mais puros que alguém já tivera.

 

Tem gente que passa pelo nosso quintal e nem se dá conta de que é lá que a gente costuma mostrar o que tem de mais bonito, mas a superficialidade da visita é tão grande que a pessoa parece estar de olhos fechados. Tem gente que passa, aprecia, e vai embora. Há outras que resolvem ficar pela sentimento que acham que sentem, mas não ficam muito por não estarem acostumadas com a cumplicidade e respeito necessários nos dias de hoje. Tem gente que visita mas nem chama a atenção de tão desinteressante, e às vezes elas mesmas deixam alguma sujeira proposital só pra enfeiar seu território mas eu costumo no cuidado diário jogar fora o lixo que o outro deixou. E a vida faz mais sentido quando você, algum dia, recebe alguém que se dispõe por conta própria a consertar as coisas quebradas que deixaram te incomodando.

 

Tem coisas que só são possíveis há quatro mãos.

 

De todas as pessoas que passaram pelo meu quintal houve uma que fez mais que consertar, mais que retirar os excessos de entulho. Arou o terreno e resolveu plantar. Veio no verão e talvez isso explique as andorinhas que voltaram a cantar. Um sentimento que havia morrido renasceu, mesmo que pequeno e sem rótulo ainda, quando percebi o terreno novamente vivo. E é assim, vivo, que a gente merece e tem que sentir e perceber o que de melhor há guardado no coração da outra pessoa, principalmente se ela resolveu plantar o amor. Mas a superficialidade é tamanha que, numa dessas brechas que o mundo tem, você se foi quando eu mais precisei. Arou, plantou, nasceu. Mas não colheu. Agora eu travo uma luta diária comigo mesmo pra arrancar do meu quintal o que era seu e que hoje está em cada canto aqui dentro, mas sentimentos não morrem facilmente porque nós continuamos alimentando-os com as memórias.

 

As memórias se arrastam com o tempo e algumas até se desfazem, mas algumas encontram consolo, algum mísero alívio nas pequenas brechas da poesia e da vida. Você é minha memória inconsolável, feita de pétala e espinho, e é dela que tudo nasce e ressurge.

Texto postado em 28/11/2013 às 8:52pm | 0 notes | (reblogue this!)

Madrugada em Ursa Maior

Tem dor que a gente não guarda no bolso não é porque não quer, e sim porque não cabe.

Surge um breve desespero quando se procura solução e ela não é prontamente encontrada. No sentido literal há vários meios de encontrar as saídas e os incontáveis por quês que te tiram o sono, porém na prática real não é bem assim. Nem os que se consideram pós-graduados na arte das relações humanas possuem as manhas de descobrir, de fato, o que é que há por detrás de nossos olhos. Porque o que se reverbera na verdade são as palavras, pronunciadas na eloquência mais fiel possível, para que o destinatário se torne um porto, onde o remetente possa ter o abrigo necessário. Até partir e abandonar o lugar que tanto quis e que o acolheu.

Há inúmeros portos abandonados por aí. Depois de desbravados e utilizados, para nada mais servem, e só lhes resta apodrecer. Até mesmo a melhor madeira apodrece quando não é cuidada da maneira que deve ser. Até mesmo as estacas mais profundas se tornam danosas quando não há cuidado necessário. ”Cuidado”, palavra que exprime atenção, alerta, que salva vidas, relacionamentos e os que se encorajam mar adentro em suas buscas incansáveis. Em alto mar a vida se torna redundância e ela própria vira isca.

Eu não sou o mar. Eu não sou o barco. Eu não sou o cuidado. Eu sou o cais, e eu vivo com os pés na lama.

Já não bastasse a sujeira natural que tenho, o mundo vem depositar parte de seu lixo no lugar mais limpo que possuo. A dor que tento colocar no bolso é o fruto amargo desse depósito errado e cruel, que ocupa a morada que tem como residente a simplicidade e o amor. Mas eu tenho a cada novo dia a possibilidade de jogar fora os lixos que deixaram em mim. Eu vivo com os pés na lama, mas nem por isso eu deixei de olhar para as estrelas.

Para os lugares da minha alma que o mundo ressecou eu utilizo do mesmo cuidado que gostaria de receber, só assim consigo retalhar o que em mim está danificado. Para conviver e lidar com o absurdo eu o vivo à risca, no fio da navalha, porque sei que um dia isso tudo vai se justificar. É a esperança que eu tenho ao alcance da mão, viver o absurdo pra que ele deixe de ser absurdo. O que nos realiza não é o reconhecimento que nos vem do outro. Ele é complemento. O que realmente conta é o que sabemos de nós mesmos.

Resolvi descredenciar algumas prioridades. O tempo e a vida se encarregaram de me mostrar o que realmente importa.

Quando a gente encara a noite como o dia da alma, muitas coisas mudam de significado.

Texto postado em 31/03/2013 às 9:55pm | 0 notes | (reblogue this!)

Horizonte Infinito.

Tem horas que tudo que a vida faz é nos empurrar pra bem longe.

O que agente faz ? Agente vai atras do que agente nem sabe direito o que é, agente sai correndo, agente esquece de tudo, esquece de todos ,até chegar lá.Porque é justamente la no meio do nada, embrenhado naquele silencio, que parece que corta agente ao meio,e so  la que agente consegue ter na nossa cabeça, finalmente a clareza que procurávamos sem saber.

E fazer musica pra mim, é botar ordem nessa barulheira que agente leva,é fazer com esses caminhões lá fora, o sangue na TV ,a gritaria das ruas, a injustiça dos nossos dias, as pressões que chegam acabar com a nossa vontade de viver, é fazer com que tudo isso pare.

 Que tudo isso se harmonize nem que seja por alguns minutos,porque as vezes eu penso, agente briga pra ter paz, agente chora pra poder sorrir, agente grita porque agente quer que as pessoas ouçam o que agente canta,agente vive pelo que se foram ,agente morre pelos que ainda estão aqui, e eu sinto que as vezes agente precisa dar de cara com o muro mesmo, agente precisa ver no horizonte o fim da linha , ate que no alge do desespero agente apalpa as nossa próprias costas, e vê nela o surgimento de um par de asas, e nessa hora agente percebe , que se agente acreditar nisso tudo que agente faz, colocar cada gota de nosso sangue, nosso suor nisso que agente faz e continuar fazendo isso,enquanto houverem forças o que nos temos em nossas mãos é infinito.

Texto postado em 3/02/2013 às 8:25pm | 0 notes | (reblogue this!)

Eu sinto que ás vezes a gente precisa dar de cara com o muro mesmo.A gente precisa ver no horizonte o fim da linha,até que no auge do desespero,a gente apalpa as nossas próprias costas e vêem nela o surgimento de um par de assa

Texto postado em 16/11/2012 às 9:12pm | 0 notes | (reblogue this!)

Queria, por um dia, conseguir mudar deixar de ser errante, por um dia, não andar, eu tenho uma ferida de cada lugar, em que deixei guardada a solidão. E é por isso que eu digo que eu não sei lidar. É muito mais do que meu peito pode suportar. Não quero sonhos com hora marcada pra acabar. Prefiro essas histórias imperfeitas pra contar.

Texto postado em 11/11/2012 às 8:10pm | 0 notes | (reblogue this!)

Eu tentei pintar na minha cara um sorriso igual, aquele que eu sei, está lá num grão de areia entre as mostardas e o pinhal,eu vi que o céu me atrai bem mais que o chão, mas é tão cruel contemplar sozinho a imensidão.


Texto postado em 11/11/2012 às 8:09pm | 0 notes | (reblogue this!)

Há muitas coisas estranhas nesse mundo. Contudo, não importa o quão estranhas seja sempre á alguém, pelo menos uma pessoa que ás vê. Se não fosse assim, não as acharíamos estranhas. Pessoas, Pessoas, Pessoas. As pessoas são os seres mais estranhos deste mundo.

Texto postado em 3/11/2012 às 9:26pm | 0 notes | (reblogue this!)

Eu me tornarei seus olhos e verei o futuro por você.

Texto postado em 3/11/2012 às 9:19pm | 0 notes | (reblogue this!)

Você sabe por que os olhos das pessoas são na frente? É para que vejam as paisagens distantes e sigam em frente.

Texto postado em 3/11/2012 às 9:17pm | 0 notes | (reblogue this!)

Nós somos apenas simples pessoas movidas pela vingança em nome da justiça. Mas se a vingança é chamada de justiça, então dessa justiça irá nascer ainda mais vingança… E então se torna uma corrente de ódio. Viver com isso, ciente do passado, predizando o futuro, isso que significa conhecer a história. Não podemos evitar, mas sim entender, que as pessoas nunca entenderão uma as outras.

Texto postado em 3/11/2012 às 9:14pm | 0 notes | (reblogue this!)
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